terça-feira, 16 de dezembro de 2025

POEMAS & PROSAS DE TONY ANTUNES CriaArt, 2025

 


POEMAS & PROSAS DE TONY ANTUNES

CriaArt, 2025


A obra de Tony Antunes é uma rica coletânea de poemas e crônicas que exploram temas como amor, saudade, crítica social e a busca pela identidade. - A poesia é descrita como visceral e metafórica, refletindo a experiência humana. - Os temas abordados incluem amor, saudade, erotismo e crítica ao consumismo. - A linguagem é marcada por neologismos e sonoridade, criando uma musicalidade única. - A obra é dedicada à família do autor, destacando sua gratidão e amor.


Estilo e Técnica Poética - A técnica poética de Tony Antunes é caracterizada por uma linguagem inovadora e uma estrutura que desafia convenções. - Utiliza aliterações, sinestesias e metáforas para enriquecer a experiência de leitura. - A musicalidade é uma característica marcante, mesmo sem rimas. - O autor cria palavras novas, como "chuvorar" e "puriando", que ampliam o vocabulário poético. - A obra é descrita como “Poesia Absoluta”, refletindo a liberdade de expressão do autor.


Temas Centrais na Obra - Os temas centrais da obra de Tony Antunes abrangem a complexidade das emoções humanas e a crítica social. - A saudade é retratada como um "vento sem dono", simbolizando a dor da ausência. - O amor é explorado em suas diversas facetas, incluindo o amor-tênia, que é descrito como parasitário. - A crítica social é evidente em poemas que abordam a destruição da natureza e os conflitos mundiais. - A obra reflete uma profunda conexão com a realidade contemporânea e as lutas pessoais do autor.


Contribuições e Impacto - A obra de Tony Antunes se destaca por sua originalidade e impacto na Literatura Contemporânea. - O autor é reconhecido por sua habilidade em transitar entre poesia e prosa, mantendo a profundidade em ambos os gêneros. - A crítica literária elogia sua capacidade de provocar reflexões sobre a condição humana. - A obra é considerada uma contribuição significativa para a Literatura Brasileira, especialmente na poesia Ultra-moderna. - A originalidade e a força de suas palavras ressoam com leitores, desafiando-os a explorar suas próprias emoções e experiências.


NECRÓPSIA DA SAUDADE


A saudade é explorada como um luto profundo e doloroso, simbolizando a perda e a memória. O vazio é descrito como um “cadáver de luz” que representa a ausência de vida e alegria. A alma é retratada como “órfã de futuro”, consumindo o passado em um estado de desespero. O tempo é personificado como um agente corrosivo que devora as memórias e os sentimentos. A saudade é apresentada como uma necrópsia interminável, refletindo a dor da perda.


Em poemas como “Nomastumado das Vísceras” A vida é comparada a um estado de agonizante deterioração, onde a maldade e a indiferença prevalecem. A vida é descrita como um arrasto, repleta de agonias e desilusões. A linguagem é marcada por uma crítica à falta de sensibilidade e à banalização da dor. O texto reflete sobre a solidão e a desesperança que permeiam a existência humana.


NOSCE TE IPSUM


A busca pelo autoconhecimento é apresentada como uma jornada repleta de vícios e desilusões. O ser humano é retratado como um ser dividido entre o desejo e a realidade. A reflexão sobre a vida é marcada por uma crítica ao consumismo e à superficialidade das relações, onde o tempo é visto como um elemento que esgota as possibilidades de realização pessoal.


NÓSCIOS DE VAGENS E DE VIRGENS


A exploração da dor e da angústia é feita através de imagens de desespero e solidão. A linguagem é rica em metáforas que evocam a fragilidade da vida e a busca por sentido. A crítica social é evidente, abordando a alienação e a falta de conexão entre os indivíduos.


PAPILAS DA FOME


A fome é utilizada como uma metáfora para a insatisfação e a miséria humana. A descrição de corpos esfomeados reflete a realidade de muitos que vivem à margem da sociedade. A linguagem é visceral, evocando a dor e a luta pela sobrevivência.


PERÍMETRO DA ALMA


A reflexão sobre a morte e a vida é central, com a alma sendo desnudada e exposta.

A morte é apresentada como um desbravador que revela a essência do ser humano. O texto sugere que nada está perdido, mesmo na morte, e que as memórias persistem.


PRATÁSIO DE PRANTO


A dor da guerra e da injustiça é retratada de forma intensa e emocional. As imagens de sofrimento e morte são utilizadas para criticar a indiferença da sociedade. O texto evoca um sentimento de compaixão pelas vítimas da violência.


QUADRÁSTICAS SANHAS


A crítica à sociedade contemporânea é feita através de uma linguagem que evoca a confusão e a desordem. A alienação e a falta de propósito são temas centrais, refletindo a crise existencial. A busca por sentido é apresentada como um desafio em meio ao caos.


RETICÊNCIAS


As reticências são utilizadas como símbolo de incerteza e rebeldia na busca pela expressão. A linguagem é marcada por uma crítica à superficialidade da comunicação contemporânea. O texto sugere que a poesia é uma forma de resistência e libertação.


SACRAMENTO


A espiritualidade e a busca por significado são exploradas em um contexto de dúvida e fé. O autor reflete sobre a dualidade da existência, entre o sagrado e o profano. A busca por conexão com o divino é apresentada como uma necessidade humana.


SACRILÉGIO


A crítica à hipocrisia e à moralidade é central, abordando a degradação dos valores humanos. O texto evoca a ideia de que a sociedade se afunda em vícios e desilusões. A linguagem é provocativa, desafiando o leitor a refletir sobre suas próprias crenças.


SANGUE DO MARMOREIO


A dor e a luta pela sobrevivência são retratadas de forma visceral e poética. A linguagem evoca imagens de sofrimento e a fragilidade da vida humana. O texto sugere que a existência é marcada por uma luta constante contra a dor.


SINFONIA DO INVISÍVEL


A busca por significado em meio ao caos é central, com a mente sendo um espaço de conflito. A linguagem é rica em metáforas que evocam a complexidade da experiência humana. O texto sugere que a cura é um processo difícil e muitas vezes incompreendido.


SOLIDÓRBITA


A solidão e a busca por conexão são exploradas em um contexto de desespero e esperança. O autor reflete sobre a condição humana e a luta por significado em um mundo caótico. A linguagem é poética, evocando a beleza e a dor da existência.


TIMBRE DO VENTO


A natureza e a condição humana são interligadas, com o vento simbolizando a passagem do tempo. O texto evoca a ideia de que a vida é uma sinfonia de experiências e emoções. A linguagem é rica em imagens que refletem a complexidade da vida. ​


TROMPETE DOS DESTERROS


A crítica à sociedade e à indiferença é central, abordando a dor e a injustiça. O texto sugere que todos são afetados pela violência e pela falta de compaixão. A linguagem é provocativa, desafiando o leitor a refletir sobre suas próprias ações.


VARIZES DO ESTUPRO


A violência e a opressão são abordadas de forma contundente, refletindo a realidade de muitas vítimas. O texto critica a hipocrisia da sociedade em relação ao estupro e à violência de gênero. A linguagem é visceral, evocando a dor e a luta pela justiça.


VÉRTEBRAS DO ALVOROÇO


A busca por identidade e significado é central, com a vida sendo uma jornada de descobertas. O autor reflete sobre a condição humana e a luta por um propósito. A linguagem é poética, evocando a beleza e a complexidade da experiência.


VIDE BULA


A crítica à medicalização da vida é central, abordando a busca por soluções rápidas. O texto sugere que a verdadeira cura vai além de medicamentos e tratamentos. A linguagem é provocativa, desafiando o leitor a refletir sobre sua própria saúde.


VITELAS HUMANAS


A violência e a opressão são abordadas de forma contundente, refletindo a realidade de muitas vítimas do genocídio patrocinado pelo Estado e Israel na Palestina. O texto critica a indiferença da sociedade em relação ao sofrimento humano. A linguagem é visceral, evocando a dor e a luta pela justiça.


VITRINE DO VAZIO


A superficialidade e o consumismo são criticados, refletindo a alienação da sociedade contemporânea. O texto sugere que a busca por aparência esvazia a essência do ser humano. A linguagem é provocativa, desafiando o leitor a refletir sobre suas próprias escolhas.


VOLÚPIA VORAZ


A busca por prazer e a luta contra a dor são exploradas em um contexto de desejo e desespero. O texto evoca a ideia de que a vida é uma dança entre a luz e a sombra. A linguagem é rica em imagens que refletem a complexidade da experiência humana.


VÓRTICES PÁLIDOS


A crítica à sociedade e à corrupção é central, abordando a desilusão e a falta de esperança. O texto sugere que a vida é marcada por ciclos de dor e resistência. A linguagem é provocativa, desafiando o leitor a refletir sobre suas próprias ações.


TEXTOS EM PROSA - CRÔNICAS


CRÔNICAS DE UM PREXELÂNDIO


A vida cotidiana é retratada com humor e crítica, abordando a realidade de um professor. O autor reflete sobre a educação e a luta por um futuro melhor para os jovens. A linguagem é leve, mas carrega uma crítica profunda à sociedade contemporânea. 




domingo, 7 de dezembro de 2025

VOCÊ SABE O QUE É HIPÁLAGE? Por ANTUNES, Gleidistone.

VOCÊ SABE O QUE É HIPÁLAGE?

ANTUNES, Gleidistone.


A hipálage é uma figura de linguagem (ou figura de sintaxe) que consiste no deslocamento de um adjetivo (ou epíteto) de um termo para outro da mesma frase ao qual ele não pertence semanticamente, mas com o qual se relaciona por proximidade.


Por regra, a hipálage atribui uma qualidade ou estado que seria próprio de um ser animado (pessoa ou animal) a um objeto ou coisa inanimada. Diferentemente da metáfora que faz uma comparação indireta.


Exemplos de Hipálage:


  • As unhas nervosas de Luísa batiam na mesa.” - Na verdade, Luísa é que estava nervosa, não suas unhas. O adjetivo “nervosas” foi transferido da pessoa para a parte do corpo.

  • "Fumava o meu cigarro pensativo." - A pessoa que fuma é que está pensativa, não o cigarro.

  • Através dos vidros, as coisas fugiam para trás” (Sophia de Mello Breyner Andresen) - As coisas (objetos/paisagem) não fogem, mas sim a pessoa que as observa de dentro de um veículo em movimento. 


HIPÁLAGE NA LITERATURA


O uso da hipálage é comum na literatura portuguesa, sendo frequentemente empregada por escritores como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Cesário Verde para criar um efeito estilístico particular. 


  • "[…]

    Sim! Porque não podia abandoná-la em paz!

    Ó minha pobre bolsa, amortalhou-se a ideia

    De vê-la aproximar, sentado na plateia,

    De tê-la num binóculo mordaz!”


Cesário Verde


In.: https://www.tudoepoema.com.br/cesario-verde-humilhacoes/?print=print


[…] por entre os nevoeiros moles, ele ia pelos montes, pelas colinas, pelos pinheirais, rachar, cortar e desramar, aos ásperos ventos, na grande neve silenciosa.”


QUEIROZ, Eça de. Prosas Bárbaras. Chadron, 1903.


A hipálage é, portanto, um recurso que mistura características sintáticas e semânticas, criando um efeito de estranhamento ou sugestão poética na descrição.


Abaixo, segue um setígono que nos apresenta o fenômeno da hipálage em seus versos:


HIPÁLAGE DO VERSO

Tony Antunes


Ruas embriagadas, tortas e tontas,

No lapso dos desassossegos e agonias,

Homens cambaleiam na corda bamba das guias,

Escarram suas lágrimas de solidão e dor,

Suspiram o pó da terra na poeira do destino,

Em desordem de amor e de ódio,

Cospem a dignidade etilizada de magoas!