segunda-feira, 28 de junho de 2021

NEURAS NÂNICAS (Tony Antunes)


 NEURAS NÂNICAS

Tony Antunes

 

Nos caminhos ermos neuronais

em síndrome da Gabriela, sem o

                    [cravo nem a canela

engabelamo-nos no próprio Ego

surtamo-nos desumildes no

                          [status quo.

 

A caminho do bis-repetitivo

reprodutores do nada, do vazio

seguem a passos lerdos

aos requebros das bundas.

 

Lipo lipsas desnecessárias

adestram homos que pensam

                           [ser sapiens

que não passam de hominídeos

                               [do sistema

úteis idiotizados nas estatísticas

                                  [dos CPFs,

zumbis vivamente mortificados.

 

Mas insistentemente, a resiliência

                                        [persiste

as vozes singram cérebros acesos

                                          [e viris

conspiram em favor do outro

dentro de nós, fora de nós.

 

Somos todos um, uno

multicelulares ao comando do

                           [Chip Divino

a gritar no silêncio de cada um

no âmago da nossa espécie

na alma Cósmica do nosso ID.

 

São José da Coroa Grande, 03/02/2021

RÚSTICO RANDEIXIOM (Tony Antunes)


Na sala de aula fiz um trabalho de Redação Criativa, eis que me surge a seguinte palavra, - RANDEIXIOM. Disso deu num poema: 

domingo, 20 de junho de 2021

DEMIOGRÁFICOS DO TEMPO (Tony Antunes)

 DEMIOGRÁFICOS DO TEMPO

           A Poesia Absoluta, atemporal por natureza, se desdobrará através dos tempos, por séculos sem fim, amém!



quarta-feira, 16 de junho de 2021

QUATRO CINCOS DE DESESPERO (Tony Antunes)

 QUATRO CINCOS DE DESESPERO

Tony Antunes

Eis que nos surge em plena madrugada o plus mental, o mote que aciona as sinapses neuronais.

Às quatro pras cinco da manhã, me vem prontinho "Os quatro cincos do desespero"!

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sexta-feira, 26 de março de 2021

A CAVEIRA DO MAUSOLÉU (Tony Antunes)


A CAVEIRA DO MAUSOLÉU

(Tony Antunes)

 

Em nossa imaginação fértil de crianças, pensávamos que aquela caveira iria, a qualquer momento, nos atacar. Ao mausoléu dos antigos padres e freiras dirigíamos a nossa curiosidade. Queríamos saber se realmente ela se mexia, mas quem teria a coragem de vê-la se bulindo ameaçadora?

O medo tomava conta de toda a criançada, alimentado por uma antiga lenda urbana, criada com a intenção de amedrontar os supersticiosos e pivetes, que roubavam os vasos de flores, depositados ali no mausoléu, pelos familiares dos defuntos. O mito da Caveira que se bulia, imperava nos corredores vazios, esquisitos, sombrios e ameaçadores do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Avenida Dantas Barreto, bem no centro do Recife.

Estávamos no ano de 1973, onde o pânico ganhava uma conotação ainda maior, com os boatos do aparecimento da “Perna cabeluda”, do “Papa-figo”, da “Mulher do algodão” e da “Mulher de Branco”.

Numa dessas tardes de inverno, onde a chuva aguça o nosso imaginário e o céu fica escurecido, parecendo que a noite matou o dia, fui desafiado pelos meus coleguinhas de classe, para mostrar a minha valentia. Eu deveria atravessar os corredores, entrar no mausoléu e demorar o máximo possível, sem temer àquela caveira. Como prêmio, eu ganharia os lanches de todos os que duvidassem da minha macheza. Como raramente eu levava algo para comer na hora do recreio, por conta da minha pobreza, impetuosamente, e no calor do momento, os pirraias aos gritos diziam: Vai, vai, vai... Tu num é o cão chupando manga?!”  Topei a parada! Deixei-me levar pelos incentivos dos que acreditavam na minha afoiteza, e fui ao encontro do estranho mundo da Caveira do mausoléu!!!

A caminho, o eco das minhas passadas pelos corredores se intensificavam nos meus ouvidos, como se eu estivesse sendo perseguido por uma entidade desencarnada; quem sabe a alma daquela Caveira não estava a me acompanhar? Este pensamento foi tomando forma e os meus miolos começaram a ferver... De repente comecei a ver imagens surrealistas misturando-se às ideias de pavor, que me arrepiavam todo o corpo e me faziam tremer dos pés à cabeça. Como num filme que retrata o fim do mundo, vi o céu e o inferno pintados no teto da igreja, onde brevemente eu faria a minha primeira comunhão. Tudo rodava na minha memória como um aviso sinistro: o carro de Daniel sendo arrebatado pelo fogo, as trombetas agudas tocando nos céus, os anjos sussurrando com olhar de reprovação e sobrevoando o corredor, os gritos, gemidos e sussurros dos pecadores no fogo do inferno, as nuvens no maior alvoroço, os olhos de Nossa Senhora do Carmo com ar de quem ia me castigar, o cheiro das velas queimando, o Credo e a Ave Maria, a professora Maria Luíza com os olhos esbugalhados saltando das órbitas, as freiras com os terços nas mãos, rezando na maior gritaria, minha cabeça rodando, meus coleguinhas correndo, minha mãe chorando, a lua caindo, o sol se apagando, a terra tremendo e eu... eu... eu...

Acordei duas horas depois na enfermaria do Convento, vítima de um desmaio súbito provocado por uma forte caganeira, causada pelo medo do desconhecido mundo da Caveira do mausoléu!!!


FIM

domingo, 1 de novembro de 2020

AS ALMAS DOS MORTOS ÁVIDOS POR VIDAS ESTIVERAM, NA NOITE DESSE SÁBADO (31/10), RONDANDO A RODOVIÁRIA MUNICIPAL DOS PALMARES!!!

 

EXTRA! EXTRA! EXTRA! 

AS ALMAS DOS MORTOS ÁVIDOS POR VIDAS ESTIVERAM, NA NOITE DESSE SÁBADO (31/10), RONDANDO A RODOVIÁRIA MUNICIPAL

DOS PALMARES!!!

 

A morte configurada nas almas penadas de gentes noitíferas, sedentas da madrugada, estiveram presentes no novo Point Cultural dos Palmares – a Rodoviária Municipal.

A Noite dos Mortos ou, como foi destacado, a Noite do Halloweem, manifestou-se nas maquiagens assustadoras, nas odes à morte, ao pranto, gemidos e sussurros de jovens mancebos, mortos-vivos em agonia etílica, esfumaçada de penumbra, sombras mórbidas sob o acalanto de sons desconexos, desuniformes e estridentes.

Belas almas místicas, num misto de cheiros acres de éter, cravo de defunto e velas queimadas, inebriando-se de papos gósmicos, líquidos de vazio em cálices de nada.

Em meio à pandemia, no halloween da Rodoviária, eis que surge na fumaça da noite a Mulher da Sombrinha! Enfiada num caixão, toda enfeitada de branco, embatonada lindamente de vermelho sangue. Em derredor dos olhos uma sobra cinza que destaca o branco encardido dos olhos. Sua voz grave, trêmula e com hálito de carniça atraem espíritos errantes que com ela formam uma cena tipo poltergeist, onde almas penadas buscam sugar as vidas alheias dos corações perdidos e sem esperanças.

Estiveram presentes os espíritos perdidos de prostitutas, bêbados, cães esmolambados, artistas plásticos, escritores anônimos e um poeta - sobrevivente das amarguras solitárias. Este último, inspirado pelo clamor calórico do momento fúnebre, escreveu as nove Aldravias mortais a seguir:

 

velório

simplório

cadáver

esquisito

trago

maldito

______________

caixão

castidade

portal

da

maldade

satanidade

______________

cadáver

cortejo

flores

defuntadas

mortes

desalmadas

______________

caveira

cadáver

câncer

energia

mal

final

______________

transe

fumaça

delírio

psicológico

furor

desamor

______________

caos

d’coração

debulha

alma

sem

perdão

______________

peste

bubônica

dor

desconhecida

morte

ranhida

______________

terrorismo

dor

morte

erma

lerda

lesma

______________

desconexa

batida

zueira

total

maldade

geral

______________

 Nesta noite todas as agruras em carnes e ossos estiveram presentes no recinto Cultural do Box de “Pedinho” da Rodoviária, sob a organização de Alex, do Ninho do Passarinho Urbano. A maquiagem por conta da Jhessey Silva e a atuação brilhante da extraordinária atriz Paula Mendes, que interpretou a Mulher da Sombrinha.

Logo em seguida, os errantes da noite treval fizeram um cortejo com o caixão da alma penada até o cemitério antigo da cidade. As pessoas assustadas se benziam, outras cruzavam os dedos numa demonstração de superstição. Ali, no portal do cemitério, terminou a primeira saga da noite do Haloween em Palmares, sob os aplausos dos espíritos desencarnados, doidos e desesperados.





































domingo, 16 de agosto de 2020

817B / L2 - 8º Andar (Ao 8º andar do Hospital da Restauração) Tony Antunes

 arquitextos 203.03 história: O espaço hospitalar em dois tempos ...

817B / L2 - 8º Andar

Tony Antunes

 

Pregado neste leito calcifico meu cérebro

o retardado tempo me aflige

as horas preguiçosas arrastam-se

os gritos das buzinas escorrem desconexos

e a brisa tapia em carícias as dores ociosas.

 

O alarido da emergência e as suturas

atrozes se perpetuam na memória

o éter e a ética supuram insanos.

 

Nafitídios gósmicos reluzem em pirilampos

                                                    de confetes

 

Sondas penianas penetram felizes os ureteres

                                                            ardentes

 

Em náuseas, propelindo lindamente, as urinas                                                                 escorrem 

- Os ruins rins pagam por suas insanidades

 

Os 184 degraus do térreo ao 8º andar

riem largos sorrisos de mangação em

                                        conta-

                                                 g

                                                   o

                                                     t

                                                       a

                                                         s

E as vidas cessam em choros agourentos

de dores, agonia e de tormentos.