segunda-feira, 24 de junho de 2024

AS MÃOS (Tony Antunes)


 AS MÃOS

Tony Antunes


As mãos abertas estendem-se à caridade, tanto quanto à maldade. Buscam saciar a fome ou matar de fome, tirando o prato da comida alheia, a impedir que se consuma a esperança de barriga cheia.


Mãos são símbolos dúbios de vida ou de morte, de carícias ou de espancamentos, de ternura ou de desamor. Elas se arem às bondades e enchem almas de amor fraternal ante as maledicências humanas. Começam ou interrompem uma guerra, matam irmãos ou salvam, estranhamente, a qualquer um. Protegem florestas inteiras, mas podem incendiá-las.


As mãos são milagres que com suas palmas e dedos constroem mundos, descobrem outros e, ao mesmo tempo, os destroem.


Ter as mãos é a possibilidade de acolher, de distribuir sentimentos que se tornarão histórias de memórias afetivas.


Com as mãos unidas em oração agradecemos a graça Divina de podermos ver a Luz do dia, vivermos a Vida e de sentirmos o Amor do Deus dos nossos corações, que me possibilitou, com as mãos em concha, oferecer a vocês leitores e leitoras esta reflexiva crônica da gratidão.


Palmares, 2/4/2024



RESPEITEM-SE OS DIREITOS DO AUTOR:

Lei 9610/19 de fevereiro de 1998


terça-feira, 21 de maio de 2024

O FAROL E O FAROLEIRO (Tony Antunes)

 


O FAROL E O FAROLEIRO
Tony Antunes


No lóbulo das pedras, a brisa confessa sua solidão. O vento empurra a jangada humilde a deslizar sobre as águas de um mar solteiro. No vazio existencial de si mesmo, fatidicamente, o farol inquieta-se. Nele, as sombras das noites desassombram-se e se desfazem para o surgimento da próclise em esperanças onde as dúvidas são sanadas:


Encontraremos, enfim, o nosso porto seguro?


Essa conjectura fere e fura o âmago das insistentes incertezas que persistem em nos atormentar.

O farol é o guia a nos levar sobre as águas tortuosas das dúvidas. Dúvidas de se, de fato, haverá o encontro encantado dos abraços, dos beijos e a visão doce das lágrimas em sal a escorrerem na face da felicidade.

O faroleiro é a alma que anima o corpo desse vigilante inabalável, que não treme ante as pancadas das tempestades que, com suas mágoas a minguarem as migalhas da vida, pranteiam a arrebentarem ondas nos arrecifes da realidade atroz e má-drástica!

Com uma fantástica visão farolítica, ora calma, ora intensamente caótica, cumprem sua flúvica missão de guiar, mesmo na gosma de um tempo dantesco que sacode almas, quebra seguranças e afoitezas.

Eles humildam os arrogantes, a dizer-lhes que o silêncio é mais eloquente que os discursos das marés altas, ou mesmo na baixa dos mares.

A solidão do farol e do faroleiro é divina, pois nos mostra uma útil estratégia da salvação dos barcos à deriva da vida.


Palmares, 28 de janeiro de 2024


Respeitem-se os direitos autorais - Lei N° 9610, 19 de fevereiro de 1998

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

POESIA ABSOLUTA(?), O QUE TEM DEMAIS NISSO? (Tony Antunes)

 



POESIA ABSOLUTA(?), 

O QUE TEM DEMAIS NISSO?

Tony Antunes


Esta nova poética do séc. XXI está posta à luz da inquietude caótica, cáustica (embora reflexiva) na perspectiva das infinitas possibilidades de interpretação. Dependendo exclusivamente do leitor. A sua capacidade de imaginação, de deslocamento mental, extremamente subjetivo, é o que interessa a esta “dita cuja”.

Já que quem lê viaja, pelo menos é essa a teoria, então que viajemos para o além da nossa zona de conforto. Usemos a imaginentividade, para ampliarmos nossa visão obtusa e cabriolética do mundo ao nosso redor, inclusive - do que se acha ser poesia!

Vamos visualizar os horizontes a nossa frente, vamos desencangalhar dos nossos ombros o medo do novo, do movimento, da ação. Deixemos de ser burramente preconceituosos. Vamos jogar pedras nos quadradismos que castram nossos pênis-samentos, vamos enrÔlar as pregas das “Odetes Gramatiqueiras”, subverter com força nos glúteos do eruditismo. Viajar nas nuvens sublimando ainda mais, e ao nosso bel prazer, as vaginas das semânticas, cheirar o pelo das pubis sintaxiais e mergulhar profundamente nelas, descobrindo que para o além do gozo, há o prazer de descobrir-se diferente, vários em um só, mais que bi, vamos ser mesmo diverso, em um só corpo textual.

Não vamos dar molezas de obviedades aos leitores, eles que se embrenhem nas entrelinhas, que voem, flutuem, gritem, se engasguem e que se inquietem, mesmo! Leitores preguiçosos não devem nos interessar mais, leitores não-despertos que se afoguem nos mimimis, com chupeta e tudo. Deixemos que fiquem cangulos, com suas dicções tortas, com seus dentes aramizados e suas mentes ocas e cheias de vazios.

Vamos dar vivas à Poesia Absoluta, que salva, que burila o clítoris mental e que faz o leitor gozar de viajar nas curvas das lindas interrogações eternas. Viva as interrogações absolutas, abaixo as certezas inúteis e efêmeras, arrogantes e tabacudamente pedantes, infladas de flacidez e de academicismos bestas, porque tudo isso passa, como este texto que já passou. Ficando apenas a poesia dele, burilando no egocentrismo dos plastificados e dos enrustidos no armário!


Palmares, 20 de janeiro de 2023 - 22h39min

VIDE BULA Tony Antunes

VIDE BULA

Tony Antunes


Encaro um poema como um gatilho que, ao ser acionado, inquieta o leitor. Nessa perspectiva, faço minhas as palavras do mestre VCA:


Escrevo para o desconforto do leitor!


O que me interessa no leitor é a sua capacidade imaginativa. Portanto, que ele imagine, seja lá o que for, sobre o meu poema, e torne-se um coautor desse poema!


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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

DÍSTICOS DE SETEMBRO EM LEPRAS - Tony Antunes

DÍSTICOS DE SETEMBRO EM LEPRAS

Tony Antunes


A arte poética da Poesia Absoluta, mesmo sendo relativa à capacidade interpretativa de cada um que a ela tenha acesso, nos intriga, nos inquieta e alumbra em nós a vontade de dar a ela, nosso próprio sentido. Mas isso somente acontece quando enfrentamos nossas preguiças morais, preconceituais e literárias.


A PA nos oferece a grande oportunidade de, tal qual a Arte Abstrata, nos desdobrarmos em sensações sinestésicas, onde o êxtase se configura nos delírios de uma luta árdua, talvez vã, com as palavras. Todavia, nunca sem a aguerrida pujança incontrolável de decifrá-la, mesmo sendo isso, impossível, porque a Poesia Absoluta é paroxitonamente INEDITA, e proparoxitonamente INÉDITA!



terça-feira, 13 de dezembro de 2022

HIDRÓLISE DE HIDRAS (Tony Antunes)

 A POESIA ABSOLUTA DE TONY ANTUNES


A Poesia Absoluta tem me consumido. Burila o tálamo da minha alma, pesa na concretude da minha pena, climatiza o céu da minha boca. Dessa ação sísmica imagino as palavras caoticamente tântricas, na excitação glandulária, orgasmatrônica e pujante da minha poesia.


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ALOMÓRFICA QUIMERA (Tony Antunes)

A POESIA ABSOLUTA DE TONY ANTUNES


Nos rasgos da minha quimera, 

lastro-me no esteio da poesia,

em fragrâncias alquímicas,

na pele da brisa, nos cachos do ventos,

na agonia das noites sudoríparas,

a desvelar a chama buliçosa da vida!



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